O Dancehall está acabando com o Reggae ?

Engana-se quem pensa que na Jamaica o Reggae está em toda esquina.
A ilha sempre foi conhecida por sua boa música. Independente se você gosta de Reggae ou não, mas sim se você gosta de bons instrumentistas.
O problema é que a grande marca da cultura Jamaicana deixou há tempos de ser feita e apreciada pelas massas, que a trocaram por um tipo de musica com poucos instrumentais e letras carregadas de promiscuidade, homofobia entre outros aspectos. Esse gênero é chamado de Dancehall.
Em março deste ano foi publicada uma matéria no Jornal Jamaica Gleaner sobre uma reunião realizada em Nova Iorque, na última quarta-feira, a fim de encontrarem uma solução para esses problemas.
O debate acalorado contou com a presença estimada de 200 pessoas, entre jornalistas, músicos e produtores no Billy Holiday Theatre. Foi organizado pela "CPR - Coalização para a preservação do reggae (Coalition to Preserve Reggae) e esteve focado no banimento das letras libidinosas nas rádios Jamaicanas. Terminando com a conclusão de que:
"O dancehall é um gênero propenso a colocar os jovens jamaicanos em extinção". A autora da polêmica frase foi Sharon Gordon.
Sharon Gordon, (Coalition to Preserve Reggae)

"Corrompendo a mente dos jovens"
“Se algo não for feito logo, a mente dos nossos jovens será corrompida pela decadência e seus atos serão reflexo da mesma. ... nossos jovens estão em perigo de estarem em um ponto sem retorno ... levando-nos a uma sociedade retardada no futuro”, foi a forte mensagem de Sharon Gordon da CPR e Carlyle McKetty.
Eles se colocaram de frente a um impressionante painel de jornalistas, músicos, produtores, psicólogos, palestrantes e ativistas, afirmando a posição do grupo de que o dancehall é só mais uma das doenças que ameaçam a juventude jamaicana. As outras incluem falta de oportunidades de emprego, educação pobre e divisão social.
“Isso coloca a responsabilidade somente nas mãos das autoridades, que devem resolver as deficiências sociais, econômicas e educacionais que terão, por sua vez, um efeito positivo do gênero”, ressaltou Gordon.
Sharon e Carlyle McKetty

O psicólogo Dr. Leahcim Semaj apoiou essa visão de que as letras de músicas populares tem a habilidade de influenciar atitudes.
“Basta olhar para os anos 70 com Bob Marley o número de jamaicanos que se tornaram Rastas e Afrocêntricos “, disse Semaj.
O Dancehall está em séria discussão na Jamaica desde que a atenção foi voltada para as letras de artistas como Mr. Vegas, Vybz Kartel e Capleton. O debate desde então foi discutido pelo mundo, recebendo opiniões diversas.
“Eu dúvido que alguém discutiria a prevalência de letras libidinosas e violentas nas músicas”, disse a Cônsul Geral da Jamaica em Nova York, Geneive Brown Metzger, enquanto se dirigia para a platéia.
“Eu, pessoalmente, apoio as recentes iniciativas pelo governo de limitar dizendo o que é o bastante para esses artistas, produtores e os meios de divulgação como as rádios, que tem colaborado em levar a música e a cultura popular para infâmia” ela concluiu.
Ressaltando o fato de que a cultura musical da ilha, assim como os esportes do país, são a espinha dorsal da “Marca Jamaicana”, o debate foi visto como de extrema importância e estava mandando uma mensagem muito importante de que é necessário discussão no assunto. Como Brown Metzger, Sheron Hamilton-Pearson a presidente do People of Black Heritage, sente que chegou a hora de aumentar o nível na música.

Denegrindo a “Marca Jamaicana


“A música definitivamente tem a ver com a “Marca Jamaica” estar se denegrindo. Sabemos dos problemas da chamada “murder music” (letras homofóbicas), que são apoiadas não só pelos artistas, como pelos ouvintes”, reclamou a antiga membro dos Panteras Negras Britânicos. De acordo com ela, quando os artistas ficam sabendo que os shows serão cancelados, ficam mais cautelosos.
“Artistas como Sizzla dizem uma coisa na Jamaica, mas fazem outra em outros lugares. Ele manera suas letras, pois entende que isso poderia acabar com sua carreira”, disse Hamilton-Pearson.
Um dos defensores do dancehall, o produtor Jon “FX” Crawford, que produziu sucessos como Shabba Ranks, Vybz Kartel, Akon e Sizzla, defende:
“o dancehall nunca acabara com o reggae ou a marca da nossa cultura”.Ele disse que o problema é o som do Dancehall atual, computadorizado, “O dia que começarmos a voltar a tocar instrumentos em nossas escolas ou comunidades, teremos uma vasta diferença, pois nossas gerações mais jovens saberão como a música é feita de fato.”
Dr. Semaj fez um paralelo entre a degradação da música com a crise da economia global. “A falta de fiscalização ativa permitiu que um péssimo recurso fosse rotulado como bom, levando a quebra do sistema”, opinou.
“O fato da música ser tocada na rádio, automaticamente dá a licença para ser cantada por qualquer um. A imagem que nossos jovens recebem é a que vão internalizar seus valores transformados pela música.
Satisfeitas com o discurso, Gordon e McKetty disseram que o fórum vai advogar a CPR, que tem o alvo em aumentar o nível das produções e performances da música jamaicana.
“A CPR vai continuar nos seus esforços de angariar informações sobre o estado da música e desenvolver estratégias para afetar seu desenvolvimento”, disse Gordon.
Enquanto isso acompanharemos o andamento. E torcemos para que seja recuperada a velha e boa música Jamaicana.